sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ensaio sobre o amor

Mãe, quando morremos somos aquelas estrelas pequeninas, pergunta a menina. 
Sim, somos todas aquelas estrelas que nos piscam o olho a rir.
Mãe, qual delas é o mano, volta a perguntar. A mãe olhou todas aquelas estrelas que doíam e, no silêncio que se esconde por trás de todas as dores do mundo, não soube responder à menina. Nos seus olhos habitavam rios de água, albufeiras de dor que, indizíveis, tristes até, procuravam o menino.
A mãe procurava o olhar do menino, os cabelos do menino, o riso do menino, o encanto mágico das noites frias e o abraço quente do menino. A mãe procurava e tudo o que via eram milhares de luzes nos seus olhos, todas iguais e a rir. Não há sofrimento maior que o amor, pensa.
A menina, que via o amor do outro lado, que via o amor por dentro do amor, diz, mãe, o mano disse que, quando morresse, para eu olhar para o céu para ver o amor.  Sabes o que é o amor, mãe? O amor é aquelas estrelas mais pequeninas, é os meninos e meninas que, à noite, se sentam comigo à janela a contar histórias de poetas. E riem, riem muito, e dizem que o amor é as estrelas a rir. Estás a ver, mãe, as estrelas estão a rir. 
A mãe, que apenas conhecia o sofrimento do amor, abraça a menina e cala a voz num suspiro breve.
A menina, que via o amor do outro lado, diz, mãe, não chores. Sabes, o amor não tem que doer. 

24 de Fevereiro de 2011

4 comentários:

  1. Era tão bom que conseguíssemos manter esta pureza de sentimentos que só as crianças conseguem ter...
    Mas vamo-la perdendo ao longo do tempo, à medida que nos tornamos adultos, e esquecemo-nos de ver e de viver "o outro lado do amor", o amor que são as estrelas pequeninas que riem, riem...

    Mais um belíssimo texto, minha mana, lindo, lindo e comovente!...

    Parabéns, tenho muito orgulho em ti!!! :)

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  2. Amiga, não há palavras que descrevam o teu texto.
    Eu também sou um pouco como essa menina e penso que no céu há estrelinhas que me protegem e sorriem.

    Muitos beijinhos

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    1. É bom pensarmos assim, amiga, diminui a nossa dor. Beijinhos.

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