domingo, 23 de setembro de 2012

O livro

O livro era bonito. Tinha uma capa macia, suave à passagem do toque. Era cara. Também aveludada. Debruada a linha de ouro. Pousei o livro no colo, abandonei a marca da leitura a meu lado. Toquei-lhe. A marca ficou lá, indelével, como traço fino no papel. Acariciei, uma vez mais, o frontispício, passei os dedos pelo título e a minha pele eriçou-se com as palavras.
Sentei o livro no regaço e afaguei-lhe os cabelos. Contra o meu peito de páginas desfeitas o apertei em solidão. Encostei-o ao ouvido e escutei-lhe o murmúrio do cantar.
Deitei-me, enfim, no veludo da sua encadernação e contei-lhe histórias de ir dormir. Descansei-me no embalo das palavras e no perfume fresco das folhas ainda virgens.
Adormeço.
E o livro por abrir.

Sem comentários:

Enviar um comentário